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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Os cem anos de Mandela: mundo homenageia ícone que usou esporte para unir um país dividido

Eventos nesta quarta celebram centenário de ícone da luta pela paz e direitos humanos


Há cem anos, nascia um ícone à celebração da paz e da vida. Nelson Mandela lutou por direitos iguais e condições justas a todos até sua morte, no dia 5 de dezembro de 2013. Nesta quarta-feira, na celebração de seu centenário, são várias as homenagens ao ex-presidente sul-africano. Está programada uma cerimônia com a presença de Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, e Graça Machel, viúva de Mandela.
Nas redes sociais, personalidades e instituições lembraram o centenário de Mandela. Pelé foi um dos que homenagearam o ex-presidente sul-africano.
Já pela manhã, jogadores da seleção de rúgbi da África do Sul fizeram uma série de ações sociais para homenagear o ícone.
A NBA também marcou presença. Um dos principais africanos na liga americana de basquete no momento, Bismack Biyombo foi ao Quênia para participar das homenagens.
Abaixo, relembre a forte ligação de Mandela com o esporte como ferramenta para unir um país dividido.

Uma relação estreia com o esporte

Nelson Mandela foi pugilista amador e também gostava de jogar futebol, mas sua grande contribuição foi a habilidade de usar o esporte como ferramenta de união. Antes mesmo de deixar o cárcere em 1990, já via o poder transformador do esporte como mecanismo contra as políticas do Apartheid, regime racista que ficou vigente de 1948 a 1993.
- O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar, tem o poder de unir as pessoas de uma forma que poucas outras coisas conseguem. Ele fala aos jovens em uma linguagem que eles compreendem. O esporte pode criar esperança onde antes só havia desespero. É mais poderoso que o Governo para quebrar barreiras raciais - relatou Mandela ao receber o Prêmio Laureus inaugural pelas realizações ao longo da vida, no meio de 2000.

Rúgbi e futebol

Um dos episódios mais marcantes da vida pública de Mandela teve relação com a seleção nacional de rúgbi, os Springboks (nome vindo de uma espécie de antílope da fauna local), esporte que Madiba, como era carinhosamente chamado pelo povo, nunca praticou. Ele mal entendia as regras, segundo o "USA Today Sports". Mas Mandela queria que brancos e negros sul-africanos se unissem em uma só torcida. A distinção, contudo, era muito marcante, e ele precisou lutar muito.
Homenagem: através do esporte, Nelson Mandela consegue unir a África do Sul
Os brancos jogavam rúgbi, enquanto os negros, futebol. Há registros de que o próprio Mandela, quando jovem, era um dos opositores dos Springboks. Mas assim que conseguiu o cargo de presidente eleito pelo voto universal no país, o ex-mandatário conseguiu que a África do Sul alcançasse o direito de sediar a Copa do Mundo de rúgbi do ano seguinte, em 1995. Além disso, Madiba apoiou o time, que contava com apenas um jogador negro, Chester Williams. Diante de 65 mil torcedores (95% brancos), a África do Sul venceu a competição em casa sobre a Nova Zelândia. O episódio culminou no filme "Invictus", estrelado pelos atores Morgan Freeman, que interpretou Mandela, e Matt Damon, que fez o capitão dos Springboks, François Pienaar, crucial na ocasião por ter incorporado as ideias de Madiba.
Mandela cumprimentaFrançois Pienaar, capitão da África do Sul no título da Copa do Mundo de 1995 (Foto: Getty Images)Mandela cumprimentaFrançois Pienaar, capitão da África do Sul no título da Copa do Mundo de 1995 (Foto: Getty Images)
Mandela cumprimentaFrançois Pienaar, capitão da África do Sul no título da Copa do Mundo de 1995 (Foto: Getty Images)
Mandela também teve papel fundamental para levar a Copa do Mundo de futebol para a África do Sul em 2010, depois de uma candidatura frustrada para sediar a competição de 2006. Mesmo bastante debilitado, Madiba marcou presença na final da Copa, em um dos momentos mais tocantes da Copa. Nesta quarta, a Fifa homenageou o sul-africano.

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