Russa foi detida em Washington e acusada de conspiração.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu nesta quarta-feira (18) a uma corte federal que a cidadã russa detida em Washington e acusada de conspiração espere seu julgamento na prisão. Segundo o órgão, Maria Butina, de 29 anos, provavelmente vai apelar ao governo russo para que a ajude a sair dos EUA.
Segundo o Departamento de Justiça, Butina deixou em seu apartamento uma nota escrita à mão em que questionava como responder a uma oferta de trabalho da agência de Inteligência da Rússia e estava em contato com agentes do órgão.
Butina foi detida no último domingo (15) na capital norte-americana suspeita de atuar em organizações americanas como agente infiltrada para favorecer a Rússia. Ela foi indiciada por crime de conspiração.
Funcionária infiltrada
Entre 2015 e - pelo menos - fevereiro de 2017, a acusada trabalhou para um alto funcionário do Banco Central Russo, que foi sancionado pelo Departamento do Tesouro no último mês de abril.
Segundo informou o governo com base nos documentos judiciais, houve um esforço por parte de Butina e este funcionário para que a detida atuasse como agente russa dentro dos EUA, tecendo relações com americanos e infiltrando-se em empresas que tivessem influência com políticos do país.
O suposto objetivo desta estrutura era favorecer os interesses do Kremlin por meio de ações que, primeiro, executava da Rússia e, depois, em território americano, aonde chegou com um visto de estudante.
A acusação afirma que a agente russa não informou às autoridades dos seus verdadeiros objetivos, o que está requerido por lei e lhe poderia acarretar uma condenação de até cinco anos de prisão.
Rússia: 'minimizar efeito positivo'
A porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse em entrevista coletiva nesta quarta que a Rússia recebeu essa detenção com "preocupação" e que ela visa a "minimizar o efeito positivo" da cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin, realizada na segunda-feira em Helsinque.
"Isso aconteceu com o objetivo claro de minimizar o efeito positivo" da cúpula entre os dois dirigentes, afirmou. "Isso dá a impressão de que alguém, com seu relógio e sua calculadora, calculou não apenas a data, mas o horário, para que essa história apareça ao máximo", disse ela, acrescentando que "parece que o FBI obedece abertamente a uma ordem política".
A Rússia "está tomando todas as medidas possíveis para proteger os direitos dessa cidadã russa", acrescentou a porta-voz, indicando que "a embaixada da Rússia em Washington insiste em um encontro consular" com ela.


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