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sexta-feira, 31 de julho de 2015

'Só sei quem é o Lulinha por foto na internet’, diz presidente da JBS-Friboi

Em entrevista à BBC Brasil, Wesley Batista, CEO da maior empresa privada do Brasil, explica lógica das doações de campanha e desmente boatos de que Lulinha seria seu sócio: 'Só sei quem ele é por foto na internet


A empresa JBS, dona da marca Friboi, há algum tempo já é a maior produtora de carne bovina e a maior processadora de proteína animal do mundo. Mas desde o ano passado, acrescentou mais um título à sua coleção de superlativos. Após um aumento de 30% nas vendas, superou a Vale para se tornar a maior empresa privada do Brasil.

A diversificação geográfica e de produtos explica a resiliência à estagnação da economia brasileira, segundo o presidente da empresa, Wesley Batista. Parte das operações da JBS está nos EUA, o que significa um grande faturamento em dólar. Além disso, se a crise faz o brasileiro deixar de comer carne bovina, impulsiona o consumo de frango – também produzido pela JBS.
Fundada pela família Batista em Anápolis, Goiás, a JBS tem uma história de sucesso incontestável, mas permeada por algumas polêmicas. Hoje, também é a maior doadora de campanha do país, tendo contribuído com mais de R$ 300 milhões só nas eleições de 2014.
Qual o objetivo das doações? "Fazer um Brasil melhor", promete Batista, em entrevista exclusiva à BBC Brasil. Mas se o objetivo é esse,INVESTIR em político não é arriscado? "Sem dúvida", admite, acrescentando que o risco "faz parte".
Em uma conversa na sede da empresa, em São Paulo, Batista falouSOBRE a relação da JBS com o BNDES, a Lava Jato e os rumores de que o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, seria um sócio oculto de sua empresa. Confira:
BBC Brasil - Pedi para um taxista me trazer na JBS e ele perguntou: A empresa do Lulinha? Qual a origem desses rumores?
Batista - (Risos) Vamos ter de fazer uma reunião com taxistas, porque já ouvi isso de muita
gente. Talvez organizar um evento com o sindicato para eles pararem com essa palhaçada. Essa conversa é absurda e sem nexo. É difícil dizer de onde saem (esses rumores). A impressão que temos é que foram plantados em campanhas por adversários políticos (do PT). Parece que foi um site específico…

Mas não é só isso. Nossa empresa tem uma história. Meu pai começou esse negócio do nada, sessenta e poucos anos atrás. Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada. Trabalhou duro, fez uma reputação. E, sem falsa modéstia, somos bem-sucedidos no que fazemos.
Não sei se é um tema cultural, mas se você pesquisar vai achar vários empresários bem-sucedidos acusados de receber ajuda. Parece que no Brasil há uma dificuldade de se reconhecer que alguém pode crescer por ser competente ou por força do seu trabalho - e não por sorte ou porque é testa de ferro ou sócio de alguém.
'Quando (o presidente) Juscelino (Kubitschek) decidiu erguer Brasília, meu pai foi vender carne para as empresas que estavam construindo a cidade em uma precariedade danada'
BBC Brasil - Como assim?
Batista - Há quinze anos, em Goiás, quando éramos muito menores, você ia achar muitos taxistas dizendo que (a JBS, na época Friboi) era do Íris Rezende, que foi governador do Estado várias vezes. Era parecido com essa história do Lulinha. Sempre crescemos muito e as pessoas tinham de achar uma justificativa: "como eu não cresço e o outro cresce?".

Aqui neste lugar (sede da JBS) funcionava o escritório do Bordon, que chegou a ser uma das maiores empresas de carne bovina do Brasil. O Bordon por muitos anos "foi" do Delfim Neto (ex-ministro da Fazenda). Quer dizer, foi enquanto ia bem. Quando começou a ir mal ninguém mais falava que era do Delfim.
Talvez isso (rumores) tomou uma proporção maior pelo tamanho que a empresa ganhou. E em função das redes sociais. Mas o que a JBS tem feito é fruto do trabalho e das pessoas competentes que tem aqui dentro.
BBC Brasil - Como é sua relação com Lula?
Batista - Lula foi presidente por oito anos. Só o encontrei uma vez nesse período, em uma reunião setorial no palácio, com 30 pessoas na sala, ministros, CEOs, etc. Não tenho certezaSOBREmeu irmão (Joesley Batista), mas acho que ele nunca encontrou o Lula quando ele era presidente. Fomos conhecê-lo depois, porque nos chamaram no Instituto Lula justamente para explicar isso (os rumores). Eles perguntaram: "Que diabos é isso? São vocês que estão falando isso?" Respondemos: "De jeito nenhum, presidente Lula, achamos isso um negócio sem pé nem cabeça."

No total, encontrei o Lula três vezes depois que ele deixou a Presidência. Teve um evento de uma revista em umHOTEL. Sentei na mesa, ele estava almoçando. E teve outra vez em uma inauguração de alguma coisa. Essa é a relação. É muito distante.
BBC Brasil - E com o Lulinha?
Batista - Nunca vi o Lulinha na minha vida. Sei quem ele é por foto na internet. Um amigo um dia falou: "Wesley, ele é parecido com você". Eu respondi: "Tá louco!" Aí fui olhar. Mas nunca apertei a mão do Lulinha. Meu irmão encontrou ele uma vez em um evento social, uma festa. Uma pessoa que estava lá ainda brincou: "Vem cá que eu vou te apresentar teu sócio. O sócio que você não conhece…". Aí meu irmão disse: "Rapaz… o povo fala que somos sócios e nunca nem tinha te visto".

BBC Brasil - Outro tema polêmico são os recursos que a JBS recebeu do BNDES.
Batista - Aí temos outro mito descabido. Ouço constantemente que a JBS recebe dinheiro subsidiado do BNDES. As pessoas não se dão ao trabalho (de conferir). A JBS não recebe empréstimos do BNDES. Ponto. Isso é público. A JBS não deve um centavo ao BNDES. Público. Para não falar que não deve um centavo, deve 40 e poucos milhões de reais, que veio de aquisições que fizemos, da Tyson e da Seara.

BBC Brasil - Mas a empresa recebeu aportes via BNDESPar (o braço de participações do BNDES. Ele compra ações de empresas. Não faz empréstimos, mas se torna 'sócio' das companhias).
Batista - A JBS vendeu participação acionária para o BNDESPar, que participa em 200 ou mais empresas. E importantíssimo: depois que a JBS já tinha capital aberto. A transparência foi total. Além disso, se formos olhar o investimento que o BNDESPar fez e o que tem hoje, eles tiveram um resultado extraordinário. Provavelmente, um dos melhores da sua carteira. No que diz respeito ao valor (dessas operações) também existe um engano tremendo, (uma confusão) do que foi compra na JBS e em empresas que depois viemos a adquirir. O total de aportes na JBS foi da ordem de 5 bilhões de reais. Eles compraram isso em ações que hoje, felizmente, valem muito mais.

BBC Brasil - A JBS seria desse tamanho não fosse a ajuda do BNDES na fase quente de aquisições para a empresa, 2007, 2008, 2009?
Batista - Primeiro, a gente não acha que foi ajuda. O BNDES não nos ajudou. Ele fez um negócio e nós fizemos um negócio. E nós entregamos. Ajudar é quando você dá um dinheiro e não cobra. Por outro lado, de forma nenhuma podemos dizer que a participação do BNDES não foi importante. Como os outros acionistas, eles foram importantes para a JBS emitir ações, levantar equity.

É difícil responder o que teria sido sem o BNDES. Há fundos soberanos em vários países e teríamos corrido atrás de interessados. Mas não dá para garantir que teríamos atraído outros fundos.
BBC Brasil - O BNDES é um banco público. O que a aposta na JBS trouxe de resultado para a sociedade?
Batista - Se for o caso, a sociedade precisa discutir o papel do BNDES, não o fato do banco
INVESTIR na JBS ou na Vale. Hoje politizaram esse debate e a discussão política não cabe a nós. Em vários lugares do mundo você tem bancos de desenvolvimento que atuam de forma semelhante. O BNDES tem uma gama de objetivos ampla, que vai desde a questão social e econômica ao desenvolvimento do mercado de capital brasileiro – e a JBS é hoje uma das companhias mais valiosas nesse mercado. Toda a sociedade ganha com um mercado de capital fortalecido.
Além disso, há a questão a internacionalização. Hoje, o Brasil tem uma presença no território americano muito mais expressiva que há 10 anos. Só a JBS tem 70 mil funcionários nos EUA. E isso não pesa nas relações de país a país? Sem dúvida.
Também contribuímos para a formalização de nosso setor e da cadeia pecuária. A indústria frigorífica do país era informal e já deu prejuízos astronômicos. Hoje, tem três empresas listadas em bolsa, com transparência. O setor se profissionalizou.
BBC Brasil - Não falta uma abertura maior das informações do banco? O TCU já pediu para acessar dadosSOBRE os acordos com a JBS...
Batista - É difícil opinar. Acho que isso tem mais a ver com um debate político. É usado como gancho desse debate.

BBC Brasil - Mas a JBS apoia uma abertura maior dos termos dos acordos? O banco alega que isso prejudicaria as empresas.
Batista - É difícil falar. O TCU não nos pediu nada. Eles pediram ao BNDES. Não temos conhecimento, no detalhe, de que tipo de informações estão pedindo. A maioria das coisas já é pública. Quanto a JBS deve ao BNDES? Divulgo isso em minha demonstração de resultado. Quanto ele comprou de participação acionária? Quanto valia quando ele comprou e quanto vale agora? Tudo é público.

BBC Brasil - Talvez: quais os critérios para a escolha da JBS? Por que não o frigorífico X ou Y?
Batista - Não vou responder pelo BNDES, mas às vezes pode ser porque, naquele momento, foi a JBS que foi atrás, que bateu na porta. A JBS não tem como opinar.

BBC Brasil - Delatores da Lava Jato têm relatado como doações de campanha foram usadas para abrir portas. A JBS é a maior doadora de campanha no Brasil. O que espera conseguir com essas doações?
Batista - Está se criando uma imagem de que a doação de campanha existe por que há alguma contrapartida. Mas não é assim, você não pode generalizar. Há setores e setores. Primeiro, a JBS não tem negócios com o governo, não faz obra e não vende (para o governo). Se vende é coisa insignificante para alguma prefeitura, talvez merenda escolar. Não é uma empresa cuja atividade depende desse relacionamento. Nem tem dinheiro a receber.

Por que doação de campanha? Primeiro porque esse é o modelo brasileiro. As campanhas são financiadas com doações privadas. E o que você espera? Espera que o Brasil seja melhor. Para a JBS um país melhor tem um valor financeiro gigantesco. Por que a JBS participa em doações de campanha? Porque acredita que, participando, tem condições de apoiar partidos e pessoas que, se ganham, podem contribuir para a gente ter um país melhor. E com um pais melhor, automaticamente, a JBS tem um ganho de valor extraordinário.
BBC Brasil - Mas a JBS doa tanto para o governo quanto para a oposição. Qual a lógica disso? Vocês acham que qualquer um que ganhe, o país melhora?
Batista - Não é assim… A bolsa brasileira é de 50 mil pontos. Se fosse de 80 mil pontos, a JBS valeria 50% a mais, ou 25 bilhões de reais (a mais). Então você tem um negócio relevante. Aí você diz, "mas a JBS doou pra um e para outro". É verdade. Tem um defeito no modelo brasileiro. São tantos partidos que você não quer ficar rotulado como um cara que tem partido. Não temos partido. Por exemplo, o finado Eduardo Campos era um político no qual achávamos que valiaINVESTIR. Era promissor …

BBC Brasil - Se você doa para políticos que concorrem entre si, não parece estar identificando os 'promissores'.
Batista - Idealmente, você deveria escolher alguns. Mas ninguém quer ficar rotulado como "aliado" ou "opositor". A gente sempre fala para qualquer político que vem aqui: não somos políticos, somos empresários. Queremos contribuir apoiando bons políticos, mas não temos lado. Não é uma questão de escolha.

BBC Brasil - Se o objetivo é um Brasil melhor, o investimento em político não é arriscado? Não seria melhor um instituto de combate à pobreza ou algo do tipo?
Batista - Sem dúvida é arriscado. Temos investimentos em outras áreas (sociais). Dentro dessa sede da empresa, há uma escola com 600 alunos, porque acreditamos que o maior gap que o Brasil tem não é infraestrutura, é educação.

É um investimento arriscado, claro. Investimos alguns milhões no Eduardo (Campos). Investimos em alguns partidos ou políticos que depois olhamos e falamos: "Poxa, erramos. Era melhor o outro candidato". Isso faz parte. Se eu soubesse e pudesse só acertar…
BBC Brasil - Tivemos o escândalo do HSBC recentemente. O que leva alguns grandes empresários a colocarem a reputação em risco para sonegar imposto?
Batista - Acho que não há uma ou duas ou três explicações. Cada caso é um caso. Às vezes fico vendo empresas que pagaram para receber dinheiro (ao qual tinham direito) do governo. É errado, claro. Não tem de pagar ninguém. Mas é difícil julgar porque às vezes a pessoa precisa do recurso. Fica entre a cruz e a espada e acaba indo para o caminho incorreto para salvar a empresa. É preciso ver em que circunstâncias o sujeito fez isso. Não estou falando do funcionário público ou político que recebeu propina, porque eles estão ali para prestar um serviço público. Também tem empresários e empresários. Mas é difícil julgar.

BBC Brasil - O senhor parece estar se referindo à Lava Jato. É isso?
Batista - De novo, acho que tem casos e casos. Pode ter casos em que (o empresário) fez errado, que corrompeu o corrompido, que foi iniciativa da empresa. É horrível. Não que de outra forma não seja horrível. Mas generalizar não é correto. Tem bons empresários e maus empresários. Boas empresas e más empresas. E também é preciso ver as circunstâncias em que as coisas aconteceram. Não dá para sair julgando. O Brasil precisa de um amadurecimento, até da imprensa. Há uma imprensa cuidadosa, mas outra que emite opinião sem fatos e dados suficientes.

BBC Brasil - Por exemplo?
Batista - Nós tivemos dois casos nesse sentido, que mostram que não dá para sair julgando. Fizemos um pagamento da compra de um frigorífico em Ponta Porã e um centro de distribuição no Paraná em uma conta, porque a pessoa mandou (fazer o depósito) contra ordem de terceiro. A conta estava no meio da Lava Jato. Foi um barulho (sem propósito)…

BBC Brasil - O outro (caso) diz respeito a anotação (encontrada em uma planilha) de Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato)?
Batista - Ele fez uma anotação numa agenda, ou sei lá no que. "J&F (holding controladora da JBS): tantos mil pra mim, tantos pro fulano". Na operação, a Policia Federal pegou isso e saiu (na imprensa) algo que fazia parecer que a JBS fez um negócio (ilícito).

Na prática, foi algo tão descabido: uma pessoa que conhecia meu irmão ligou para ele um dia e disse que tinha um amigo que queria vê-lo para oferecer uma empresa. Normal no mundo empresarial. Meu irmão falou: "Tudo bem, traz seu amigo para falar com um diretor meu". Essa pessoa era o Paulo Roberto Costa, que foi lá oferecer a Astromarítima. Ele estava pensando em ganhar corretagem (com a venda da empresa), o que também é normal, desde que ele declare essa comissão. A proposta não interessou. Mas nesse meio tempo o cara deve ter feito a continha: "Se eu vender, recebo tanto." Virou um negócio que "meu Deus".
Também confundiram os nomes. Esse amigo do meu irmão tinha o primeiro ou segundo nome igual ao de um executivo da OAS preso. A imprensa deduziu que era a mesma pessoa. Isso tudo já está explicado. Mas cria-se um negócio não concreto, um julgamento de valor. Opinar quem fez e quem não fez na Lava Jato é para os procuradores, juízes e investigadores.
BBC Brasil - Com a desaceleração da economia, há o medo que o Brasil reverta os ganhos sociais dos últimos anos. Há quem defenda que os ricos poderiam pagar mais impostos para aliviar o impacto do ajusteSOBRE os pobres. Sua família está no topo da pirâmide social brasileira. O que acha?
Batista - Pergunta difícil. Essa você pegou pesado. Olha, isso não é uma novidade. Em vários países, quem tem mais paga mais. Nós temos uma situação específica do Brasil. Já temos uma das maiores cargas tributárias do mundo… e aí é que eu acho que está o debate. Não é se se cobra mais de quem tem mais e menos de quem tem menos. Já temos impostos demais e os impostos aqui são muito complicados. Além do custo de pagar, o custo de administrar, isso é monstruoso. Nossa companhia nos EUA é tão grande quanto no Brasil, mas temos aqui dez vezes mais pessoas envolvidas com a questão dos tributos. O foco deveria ser simplificar esse troço.

BBC Brasil - Os processos trabalhistas são o tema de muitos comentários negativos contra a JBS nas redes sociais. O que vocês estão fazendo para diminuir isso?
Batista - Muita coisa. Cada dia mais. Temos uma área de compliance trabalhista composta por engenheiros de segurança do trabalho, ergonomistas, advogados, um grupo multifuncional que vai de fábrica em fábrica. Lógico que não somos perfeitos. Temos problemas, mas isso às vezes é superdimensionado. Dado o universo que a JBS trabalha, a quantidade de fábricas, nossos indicadores são bons. Temos 120 mil funcionários no Brasil. É claro que não queríamos ter problema nenhum. Nenhum acidente. A gente trabalha para isso. Mas, infelizmente, às vezes tem alguns casos.

Ladrões roubam medalha de ouro do Pan de jogadora da seleção feminina

Tamires Britto estava na frente da casa da sogra, em Santo André.
Dupla levou carro da vizinha, bolsa, aliança e celular da atleta.


A jogadora Tamires Britto, lateral da seleção brasileira, foi roubada na manhã desta sexta-feira (31), em Santo André, no ABC Paulista. Ela estava com a família, saindo da casa da sogra, no Parque Jaçatuba, quando dois rapazes armados anunciaram o roubo. A medalha de ouro do Panamericano de Toronto, que ela conquistou no dia 25 de julho depois da vitória sobre a Colômbia, estava em sua bolsa e foi levada.
A atleta disse ao G1 que está triste com o ocorrido, mas aliviada por ninguém ter ficado ferido. "É triste porque ainda estava curtindo a medalha. Não fiquei nem seis dias com ela. Você dá um duro danado para conquistar uma medalha, que é da nação brasileira, para dois 'Zé Ruela' virem e levarem embora."
Tamires afirmou que espera reaver a medalha. "De certa forma estou aliviada por ninguém ter se ferido. Minha família vale mais que a medalha. Quando vi que os dois rapazes estavam armados nem pensei em reagir."
Tamires e as jogadoras do Brasil participaram de cerimônia na CBF com as medalhas na quinta-feira (Foto: Rafael Ribeiro / CBF / Divulgação)Tamires e as jogadoras do Brasil participaram de cerimônia na CBF com as medalhas na quinta-feira (Foto: Rafael Ribeiro / CBF / Divulgação)
Ela contou que estava saindo da casa da sogra, quando uma vizinha chegou com um carro de luxo e desceu para cumprimentá-la pela conquista. "Estava me preparando para entrar em meu carro, quando ela [vizinha] veio me cumprimentar. Foi nessa hora que dois moleques vieram da esquina e pediram as alianças, relógios, bolsas. Levaram o carro da vizinha, entraram no meu carro, onde estava meu filho de 5 anos e minha sobrinha de 10 anos. Pegaram meu celular e minha bolsa, onde estava a medalha."
A lateral da seleção disse que particpou de uma homenagem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (30), e que gravaria um programa esportivo de televisão nesta sexta. "Por isso que a medalha estava na minha bolsa. Dei duro para conquistar a medalha e vem dois caras do nada e levam embora. A medalha foi embora, mas minha família ficou."
A sogra da jogadora, Márcia Araújo, disse ao G1 que foi tudo muito rápido. "Ela estava saindo quando fomos surpreendidos. Foi um arrastão. Estávamos em oito pessoas, seis adultos e duas crianças. E ainda levaram o carro da vizinha. Eles [ladrões] chegaram andando, mas desconfio que tivessem alguém dando cobertura."
A CBF informou que vai fazer uma réplica da medalha de ouro para Tamires.
Tamires (número 6) comemora com as jogadoras a vitória na final do Pan (Foto: Tom Szczerbowski-USA TODAY Sports/Reuters)Tamires (número 6) comemora com as jogadoras a vitória na final do Pan (Foto: Tom Szczerbowski-USA TODAY Sports/Reuters)

Investigada na Lava Jato, Camargo Corrêa fecha acordo de leniência

Acordo foi assinado com o Cade e o MPF nesta sexta-feira (31).
Objetivo é comprovar cartel na licitação para a construção de Angra 3.



A empreiteira Camargo Corrêa fechou nesta sexta-feira (31) um acordo de leniência comMinistério Público Federal (MPF) e a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A empresa é investigada pela Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção na Petrobras e outras empresas públicas.

O acordo de leniência é semelhante à delação premiada, mas é firmado com pessoas jurídicas que desejam cooperar com a Justiça. Para que o acordo seja firmado, é preciso que a empresa colaboradora confesse a participação nos ilícitos, pague ressarcimento pelos prejuízos causados, e revele informações para as investigações.
O intuito deste acordo, conforme a Força-Tarefa que investiga a Lava Jato, é conseguir informações que comprovem a formação de cartel entre empresas que disputaram licitações da Eletronuclear para a construção da Usina Angra 3, entre 2013 e 2014.
O ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini, em delação premiada, afirmou que houve conluio entre empresas para a construção de Angra 3. Conforme o delator, o esquema de cartel de empreiteiras realizado na Petrobras se repetiu na licitação da Eletronuclear para a construção da usina com o pagamento de propina para agentes públicos.
A Eletronuclear tem economia mista, e o controle acionário é da União. A empresa foi criada em 1997 para operar e construir usinas termonucleares responde hoje pela geração de cerca de 3% da energia elétrica consumida no país, e foi o foco da 16ª etapa da Lava Jato. Nesta etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 23 mandados de busca e apreensão.
Em nota divulgada nesta sexta, a Construtora Camargo Corrêa diz que: "As informações e documentos apresentados à autoridade são fruto de investigações internas conduzidas pela companhia, com auxílio de especialistas externos e auditoria forense independente. A Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A reafirmou perante o Cade seu compromisso de colaborar com as investigações, bem como de manter os esforços de aprimoramento dos mecanismos internos de compliance".
Leniência
Conforme o MPF, o acordo de leniência se limita às infrações e crimes concorrenciais, incluindo fraude à licitação. Os procuradores não devem formular acusação criminal por conta destes crimes contra pessoas relacionadas à Camargo Corrêa, mas outros delitos que possam ter sido praticados por eles - como corrupção ativa -, seguem sob investigação. As demais empresas devem ser investigadas sem os benefícios do acordo.

Com base no acordo de leniência e em outros documentos, o Cade poderá abrir um processo contra todas as empresas e pessoas envolvidas no cartel. Se condenadas, as empresas podem ter de pagar multas que chegam a até 20% do faturamento na área investigada.
Esse é o segundo acordo de leniência firmado pelo Cade no âmbito das investigações da Lava Jato. O primeiro foi firmado em março, com a empresa Setal e a Sog Óleo e Gás, e trata de suspeitas de cartel em outras licitações da Petrobras. É a primeira vez que o Cade chega também ao setor elétrico.
Dalton Avancini fala à CPI da Petrobras (Foto: Reprodução)
Ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini
relatou esquema em delação (Foto: Reprodução)
Cartel
Dentre as provas colhidas  para confirmar a ação em cartel estão e-mails, agendas de reuniões, extratos de ligações e demonstrações de lances e preços, segundo o MPF. Houve dois consórcios da disputa: UNA 3 (formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC) e Angra 3 (formado por Queiroz Galvão, EBE e Techint).

As reuniões definiram que o UNA 3 sairia vencedor de dois pacotes de licitação - um de obras no circuito primário do reator e outra no circuito secundário -, abdicando na sequência de um contrato para o outro consórcio. Isso permitiu que os lances das consorciadas chegassem próximos ao limite máximo admitido pela Eletronuclear, sem preocupação com concorrência.
Foi definido que o limite máximo para a proposta das empresas era 5% acima do preço de referência estabelecido pela Eletronuclear. O consórcio Angra 3 apresentou uma proposta 4,99% acima do preço de referência para os dois pacotes. Já o consórcio UNA 3 apresentou uma proposta 4,98% acima do preço de referência e ganhou a licitação para os dois pacotes.
Há indícios de que até depois da licitação, na fase em que a Eletronuclear poderia pedir um desconto às empresas vencedoras, os concorrentes também se articularam para evitar um desconto muito elevado.
O cartel para as obras de Angra 3 começou em 2011, segundo as investigações, ainda na fase de pré-qualificação das empresas para a concorrência. Funcionários disseram que acreditam que elas já conversavam entre si. O grupo se denominava "conselhão" ou "grupão".
O MPF sustenta ainda que as empresas que formaram o cartel continuaram praticando crimes mesmo depois do início da Operação Lava Jato. Conforme os procuradores, há provas de que dirigentes das empresas acertaram detalhes da fraude até setembro de 2014, quando foram assinados os contratos da Eletronuclear.

Dólar fecha o mês em alta e volta a atingir o maior valor em 12 anos

A moeda norte-americana subiu 1,59%, a R$ 3,4247. 
Na semana, o dólar subiu 2,32% e no mês, 10,16%.


O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (31), pressionado por preocupações com a situação fiscal e as turbulências políticas no Brasil e pelas incertezas sobre a intervenção do Banco Central no câmbio. O mercado repercute aindao déficit primário de R$ 9,32 bilhões no setor público, pior da história para junho.
A moeda norte-americana voltou a atingir o maior valor desde 2003 e subiu 1,59%, a R$ 3,4247 na venda. Veja cotação.
Esta é a maior cotação de fechamento desde 20 de março de 2003, quando encerrou a R$ 3,478.

Também em março de 2003 havia sido a última vez que o dólar tinha ido acima do patamar de R$ 3,40, segundo informações da Reuters.

Na semana, o dólar subiu 2,32% e no mês, 10,16%. Esta foi a maior alta mensal desde março, mês em que a moeda subiu 11,46% - de acordo com dados da Economatica considerando a Ptax - taxa calculada diariamente pelo BC que que aponta a média do preço do dólar em real. No ano, o dólar já acumula alta de 28,81%.
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Dólar em julho
Variação do valor de fechamento em R$ no mês.
3,1453,0963,13933,14213,18253,23383,23573,16123,13083,13853,1363,15823,19393,20063,17323,22573,29583,3473,3643,3693,32933,3713,4247cotação em R$01/0702/0703/0706/0707/0708/0709/0710/0713/0714/0715/0716/0717/0720/0721/0722/0723/0724/0727/0728/0729/0730/0731/073,13,23,33,433,5
Gráfico elaborado em 31/07/2015
"Para qualquer lado que você olhar, tem notícia ruim, seja fiscal ou política", resumiu à Reuters o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

"O que preocupa bastante no futuro são os números da economia brasileira. Com os dados ruins, vamos ficando cada vez mais perto de perder o grau de investimento", disse o superintendente regional de câmbio da SLW, João Paulo De Gracia Correa, para quem o dólar pode ir "facilmente" acima de 3,60 reais se o país for rebaixado.

O setor público brasileiro marcou déficit primário de R$ 9,323 bilhões em junho, pior leitura para o mês na história, acumulando em 12 meses rombo recorde equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), números que ressaltam as dificuldades do governo para equilibrar as contas públicas.
Os investidores também especulavam sobre o programa de interferência do Banco Central no câmbio com a rolagem dos swaps cambiais, contratos que equivalem a venda futura de dólares, que vencem em setembro, correspondentes a US$ 10,027 bilhões.
Variação mensal do dólar
Veja a variação em % considerando a Ptax
0,238,1111,46-6,686,19-2,410,16Jan 15Fev 15Mar 15Abr 15Mai 15Jun 15Jul 15-10-5051015
Fonte: Economatica
O mercado questiona se o BC continuará com a estratégia de reduzir as rolagens diante da escalada recente da moeda norte-americana, que tende a pressionar a inflação.
O BC rolou pouco menos de 60% dos swaps que vencem na segunda-feira, a menor proporção em mais de um ano.
"Num momento como este, o BC não deve anunciar uma rolagem menor e se fizer isso vai causar mais estresse no mercado", disse à Reuters o operador de câmbio da Correparti Corretora Jefferson Luiz Rugik, para quem o dólar pode ir a R$ 3,50 no curto prazo.
No exterior, o dólar recuava em relação a uma cesta de moedas, após avançar com força nas últimas sessões diante das expectativas de alta de juros nos Estados Unidos e preocupações com a desaceleração da economia chinesa.

"É um ajuste técnico. Os mercados (externos) se lembraram de tomar pílulas contra ansiedade hoje", afirmou à Reuters o economista da empresa de análise 4Cast Pedro Tuesta.

Bovespa fecha julho no vermelho
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta nesta sexta-feira (31), mas encerrou o mês de julho no vermelho. Investidores repercutem a temporada de divulgação de balanços trimestrais das empresas listadas na bolsa. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, subiu 1,94%, aos 50.609 pontos.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Em papo com Fernanda Gentil, Cláudia Leitte admite desejo de ter mais filhos

Atenta ao dia a dia dos filhos até quando viaja a trabalho, a cantora conversou com a apresentadora do Globo Esporte sobre dificuldade de conciliar carreira e maternidade


Mãe de David e Rafael, Cláudia Leitte não consegue falar da prole sem se emocionar. Em um papo descontraído, a cantora e a jornalista Fernanda Gentil conversaram sobre maternidade e a dificuldade de conciliar rotinas intensas de trabalho com a criação dos filhos.
- Apesar da vida que eu tenho, sou uma mãe presente. Vou à escola, participo das reuniões... Se eu não tiver isso, não sou feliz. Quando meu marido faz a agenda de shows, ele pensa “preciso da minha esposa sendo mãe, então eu não vou fechar 500 shows. Não vou fazer o que a gente fazia antes de ter filho, senão ela não vai conseguir cantar”- contou. 
A tecnologia é uma aliada. Mesmo viajando, Cláudia mantém contato com os filhos e controla a rotina dos dois. Ela faz questão de ensinar a eles a importância de seu trabalho. 
- Nos vemos pelo celular e também tem câmera na casa inteira. Eu vejo se eles comeram, se fizeram o dever, é um quartel general. E eles sabem qual é a situação, eu faço questão de falar que eles têm isso ou aquilo porque a mamãe trabalha muito e eu vou sempre mostrando, pra eles saberem que a vida não é fácil.  
Apesar do lado mãezona, a cantora admitiu não ter sido fácil passar as últimas semanas degravidez sem trabalhar. Muito agitada, sentia falta de se exercitar e entrou em crise, achando que não conseguiria retomar a carreira após o nascimento de David.  
euatleta fernanda gentil claudia leite mosaico (Foto: eu atleta)

- Sou muito ativa, não me vejo parada. Então minha cabeça ficou louca. Comecei a achar que não seria uma boa mãe, que não conseguiria trabalhar e cuidar do meu filho, que não voltaria tão cedo pra estrada porque o corpo ia ficar uma droga. Teve um dia que comecei a chorar, achando meu corpo feio, que meu marido não ia gostar mais de mim. Tinha dias em que eu me sentia linda, em outros me achava a mulher mais feia do mundo e não queria sair de casa - lembrou.
A preocupação foi em vão. Quinze dias depois de ter dado a luz ao primeiro filho, a cantora já exibia a boa forma em cima do palco. Na segunda gestação, o corpo respondeu de maneira diferente, mas também não demorou a perder os 14kgque ganhou. 

- Meu médico nunca tinha visto uma recuperação tão rápida. Acho que tem a ver com a minha genética, que me favorece, mas acho que minha cabeça ajudou também. Faltava um mês para o carnaval, todo mundo sabia que eu tinha acabado de parir. Decidi me alimentar para amamentar, queria viver esse momento, não estava me importando com o corpo. Nessa de não me preocupar se o corpo ia voltar, emagreci tudo, minha barriga ficou chapada, Na segunda, senti um pouco mais a diferença estava com 30 anos.

Durante a gravidez, Claudia elegeu anatação como o esporte que a ajudaria a manter a forma e a relaxar. Até a véspera dos nascimentos de David e Rafael, estava dentro da piscina.  
- Eu nadava 25 metros, parava, respirava e fazia os outros 25 metros. A natação me trazia um relaxamento que eu não conseguia ter, era uma atividade que me colocava em contato comigo mesma. Eu ficava ali, ouvindo só o barulho dos meus movimentos e relaxava muito. Eu me sentia leve dentro da piscina - explicou. 
Apaixonada pelos pequenos, ela revelou que gostaria de ter mais filhos. Mas descarta a possibilidade de aumentar a família nos próximos dois anos. Agora, o foco de Cláudia Leite é o trabalho. 

- Eu gosto da ideia de ter quatro filhos, mas não agora. Estou muito envolvida com trabalho e estou me precavendo para não engravidar. Eu falei isso da primeira vez também - brincou. 

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