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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ex-presidente do Peru tenta suicídio depois de receber ordem de prisão no caso Odebrecht

Alan García, que atirou contra a própria cabeça, é um dos quatro ex-chefes de Estado do país acusados de ter recebido suborno da empreiteira brasileira

LIMA - O ex-presidente do Peru, Alan García, está internado depois de ter atirado contra a própria cabeça diante de uma ordem de prisão preventiva emitida pela Justiça, confirmou o advogado do ex-líder, Erasmo Reyna. García, de 69 anos, foi levado para o hospital Casimiro Ulloa, que confirmou que a causa da internação foi um ferimento na cabeça.

Policiais também confirmaram à agência Reuters que o ex-líder peruano tentou suicídio. García é um dos dos quatro ex-chefes de Estado do país investigados sob a acusação de terem recebido suborno da construtora brasileira Odebrecht. A Justiça havia ditado sua prisão preventiva por dez dias.
— Nesta manhã ocorreu este lamentável acidente: o presidente tomou a decisão de atirar em si mesmo — destacou a jornalistas o advogado Erasmo Reyna, na porta do Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima.
O secretário pessoal de García, Ricardo Pinedo, confirmou que o ex-presidente entrou em seu quarto depois de ser informado que um promotor batia à porta de sua casa, informou o jornal "La Republica", de Lima. A situação do ex-presidente "é delicada", segundo o advogado.
— Neste momento, ele está sendo operado. Rogamos a Deus que lhe dê força — ressaltou Erasmo Reyna.
Orador habilidoso que liderou o poderoso partido Apra do Peru por décadas, García governou o Peru como um nacionalista de 1985 a 1990 antes de se refazer como um defensor do livre mercado e ganhar um novo mandato de cinco anos em 2006.
A ordem judicial de detenção desta quarta-feira também afeta outras oito pessoas: o ex-ministro de Transportes Enrique Cornejo, Luis Nava, seu filho José Antonio Nava, Miguel Atala, seu filho Samir Atala, Oswaldo Plasencia Contreras, Jorge Menacho e Raúl Antonio Torres.
Além de García,  que governou o país por dois mandatos, o último de 2006 a 2011, a investigação sobre subornos da Odebrecht no Peru envolve também os ex- presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). Todos estão sob investigação do Ministério Público peruano. Kuczynski  foi preso preventivamente por dez dias no início deste mês.
Todos estão sob investigação do Ministério Público peruano. Toledo, que supostamente recebeu US$ 20 milhões da empreiteira pela construção de uma rodovia, vive nos Estados Unidos.
O escândalo também salpicou nas ex-candidatas Lourdes Flores e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), em prisão preventiva desde 31 de outubro.
Em fevereiro, a empresa assinou um acordo de cooperação com a Procuradoria peruana em São Paulo para ampliar as investigações sobre contribuições ilícitas eleitorais.
Ficou então definido que a Odebrecht teria que pagar cerca de US$ 182 milhões como compensação civil aos peruanos, com base em quatro licitações que venceu mediante o pagamento de subornos a autoridades locais. A empreiteira já admitira em 2016 que havia pagado propinas na casa dos US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 no país.
Em sua declaração, na ocasião, a empresa brasileira ressaltou que o Peru é o oitavo país com o qual chega a um acordo. Negociações semelhantes ocorreram com o Brasil, os Estados Unidos, a Suíça, a República Dominicana, o Panamá, o Equador e a Guatemala.
Em dezembro, o presidente peruano, Martin Vizcarra,  rejeitou a possibilidade da continuação das operações da Odebrecht em seu país, sob a alegação de que as práticas corruptas da empresa provocaram sérios estragos. Vizcarra foi eleito em 2018, tendo como uma de suas principais propostas a condução de uma reforma contra a corrupção no país. Apesar das críticas, Vizcarra afirmou que respeita o pacto dos promotores com a Odebrecht.

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