Indivíduo resgatado no distrito de Primavera, em Rosana, continua hospitalizado com quadro de saúde estável. Órgão federal informou que rapaz pode ser da região de Amambai (MS).
A Polícia Civil aguarda a identificação por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai) do homem que vivia em situação “desumana” em uma mata e foi resgatado no dia 18 de março, no distrito de Porto Primavera, em Rosana (SP).
O delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão informou ao G1 na tarde desta terça-feira (9) que a Funai relatou à polícia que o indivíduo pode ser de Amambai (MS).
“Continuamos aguardando a identificação da Funai. Há a suspeita de que ele possa ser de alguma tribo dessa cidade, mas é preciso que isso se confirme e ele realmente seja identificado. Não é um caso de polícia. Nós apenas realizamos uma ação de caráter preventivo com o apoio do hospital onde ele ainda permanece”, explicou Pedrão.
Locais onde o homem ficava foram descobertos durante as diligências — Foto: Polícia Civil/Cedida
Ser humano
A pedagoga e conselheira tutelar Hortência Tavares Falci tem atuado, de forma voluntária, no caso do homem resgatado e consegue conversar um pouco com ele no idioma guarani, já que ela também fala a língua indígena.
“Ele fala muito pouco. É bem nato. Aparentemente apresenta alguma deficiência. Está consciente do que está acontecendo, mas tem momentos de oscilações. Parece um bicho acuado em alguns momentos. É tímido”, afirmou Hortência ao G1.
A voluntária informou ao G1 que tem visitado constantemente o homem no hospital e espera que o caso dele possa ser resolvido.
“O que eu quero é ajudar a resolver o caso desse rapaz que não tem ninguém por ele. Alguém tem de gritar por ele, pois é um ser humano”, concluiu a pedagoga ao G1.
Homem foi resgatado por policiais no distrito de Porto Primavera, em Rosana — Foto: Polícia Civil
Estado de saúde
Em nota enviada ao G1 nesta terça-feira (9), o Hospital Estadual de Porto Primavera informou que o paciente deu entrada na unidade no dia 18 de março, sendo prontamente atendido pela equipe médica e multiprofissional.
“Desde então, ele permanece em observação e seu estado de saúde é considerado estável" , concluiu o hospital.
Funai
O G1 solicitou um posicionamento sobre o caso para a Fundação Nacional do Índio e o órgão federal respondeu através da seguinte nota:
“A Funai acompanha a situação do indígena, e informa que ele será encaminhado para a comunidade Guarani de origem. A Coordenação Regional a que o município de Rosana (SP) está subordinado é a CR Ponta Porã (MS)”.
Homem foi resgatado por policiais no distrito de Porto Primavera, em Rosana — Foto: Polícia Civil
O caso
Um homem que, segundo relatos de moradores, vivia em uma mata que margeia o Rio Paraná, no distrito de Porto Primavera, em Rosana (SP), foi resgatado por policiais no dia 18 de março. Ele, que foi levado para o hospital da cidade, apresentava condições “desumanas” de higiene pessoal no momento da abordagem, segundo a Polícia Civil, e sua identidade é desconhecida.
Há cerca de quatro meses, policiais recebiam relatos informais sobre um homem que estaria residindo em meio a um local conhecido como Mata do Grêmio, se alimentando de cães mortos e de restos orgânicos que são descartados no terreno.
Além disso, também surgiram relatos de supostas tentativas de agressões e de uma agressão física consolidada – que foi registrada no ano passado – que em tese teriam sido praticadas por este homem.
Com as informações, a Polícia Civil passou a realizar diversas diligências no intuito de localizar e identificar a pessoa.
Segundo relatos informais repassados à polícia, o homem não era socializado e apresentava atraso mental.
No dia 18 de março, novas informações apontaram que o homem caminhava pela rodovia que dá acesso ao vizinho Estado do Mato Grosso do Sul.
Após confirmar a situação, a Polícia Civil solicitou apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e as equipes foram ao local, onde o homem foi encontrado.
No momento da localização, o homem estava armado com uma pequena faca de serra, que foi apreendida pelos policiais, e, apesar de no início ter apresentado comportamento hostil, logo aceitou a abordagem.
Conforme a polícia, o homem não conseguia se comunicar e repetia poucas palavras daquelas que ouvia, sempre demonstrando temor das pessoas que com ele tentavam interagir. As suas condições de higiene pessoal eram desumanas e degradantes, também segundo a Polícia Civil.
Os policiais entraram em contato com o Ministério Público local e com a Secretaria Municipal de Saúde e o homem acabou encaminhado ao hospital para receber cuidados médicos e ser avaliada a sua possível internação.
Uma equipe policial coletou as impressões digitais do homem para tentar a sua posterior identificação.
Inicialmente, a Polícia Civil também cogitava a possibilidade de o homem, que demonstrava evidente situação de vulnerabilidade, ter origem paraguaia ou boliviana.

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