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segunda-feira, 22 de abril de 2019

A individualidade na vida a dois


Somos diferentes! Isso não é novidade pra ninguém. Somos diferentes na compleição física, na forma de pensar e de sentir o mundo. Mas quando se trata de casal, a máxima “somos um só” pode tornar-se uma cilada quando não há respeito pela individualidade do outro.
Mesmo sendo o amor o principal ingrediente num relacionamento, cada um pode ter expectativas e percepções diferentes diante de uma mesma situação. Portanto, a maneira de expressar os sentimentos é muito individual. Dito assim parece simples, porém, na vida a dois, nem todo casal pensa desta forma.  Daí, os conflitos são inevitáveis.  
Para que haja uma relação saudável, antes de tudo, precisamos aprender a nos diferenciar como pessoas, a distinguir o Eu do Tu.  Este processo de compreender quem é o outro, e entender quais são os limites desta relação, é o que preserva a identidade de cada um. Sem isso não há respeito.
Em um relacionamento, quando imponho ao outro que ele pense e aja igual a mim, instala-se uma patologia permeada por conflitos, agressões, rivalidades, inveja, num processo de culpabilização mútua sem fim. Como consequência, cada um passa a vigiar o outro, principalmente naquilo que rejeita neste outro, sem a condição de querer ajudar a melhorar.
Respeitar a individualidade do outro é sinal de bem querer. Isso não significa que cada um deve fazer o que bem entende, afinal, na construção de um relacionamento, há adaptações que devem ser  realizadas, flexibilizadas, para que haja harmonia na vida a dois. São acordos necessários para uma boa convivência. Porém, é preciso cuidado e uma boa dose de assertividade com si próprio para que tais acordos não sejam imposições, em nome do amor, e que mascaram a própria rigidez do casal.
O que dinamiza, e faz crescer, uma relação é a diferença e não a igualdade. Claro que quando falo em diferença não significa que os pensamentos e ideias de ambos devam ser constantemente opostos porque isso desequilibra a relação, pois todo casal precisa de códigos em comum para uma boa vivência a dois.  Porém, é preciso respeitar a forma de ser do outro e isso não significa que devam concordar com tudo, mas sim refletir sobre os pontos de vistas diferentes, possibilitando encontrar saídas mais adequadas às necessidades de ambos.
A ideia de que é possível restringir a liberdade do outro é uma ilusão que, mais cedo ou mais tarde, mina a relação. Nada é mais sufocante do que conviver com alguém que, ao invés de lidar com suas próprias dificuldades, prefere controlar o outro.

 Joselene L. Alvim- psicóloga/neuropsicóloga

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