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segunda-feira, 19 de março de 2018

Presidente da Hydro admite descarte irregular de água não tratada no rio Pará

Svein Richard Brandtzæg pediu desculpas pela ação em nota divulgada nesta segunda-feira (19) e disse que essa conduta não faz parte dos procedimentos da empresa.


A refinaria norueguesa Hydro admitiu que descartou água não tratada no rio Pará, em comunicado no site da multinacional, publicado nesta segunda-feira (19). A empresa ainda informou que vai realizar uma revisão completa de todas as licenças da operação no município de Barcarena e começar uma auditoria interna.
A decisão foi tomada após notificação da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), que identificou um terceiro ponto de despejo irregular na última quinta-feira (15).
"Em nome da companhia, pessoalmente peço desculpas às comunidades, às autoridades e à sociedade", declarou o presidente e CEO da Hydro, Svein Richard Brandtzæg, no comunicado. De acordo com ele, essa conduta não faz parte dos procedimentos da empresa. "Isso é completamente inaceitável e contraria o que a Hydro acredita", completa o texto.
A Hydro informou que as conclusões da revisão interna e da primeira fase da consultoria independente serão apresentadas no dia 9 de abril, juntamente com as medidas que serão tomadas para sanar os problemas causados pelos vazamentos.

Três canais irregulares

A notificação da Semas, a que se referiu a Hydro, é conexão sem autorização da licença entre a refinaria e um canal de drenagem, que levava água de chuva não tratada do telhado do galpão de carvão para o rio Pará. Esse foi o terceiro duto irregular encontrado em vistorias na Hydro.
Semas descobre terceiro ponto de despejo irregular na refinaria da Hydro em Barcarena. (Foto: Reprodução / Semas)Semas descobre terceiro ponto de despejo irregular na refinaria da Hydro em Barcarena. (Foto: Reprodução / Semas)
Semas descobre terceiro ponto de despejo irregular na refinaria da Hydro em Barcarena. (Foto: Reprodução / Semas)
As descobertas de irregularidades começaram no dia 17 de feveirero, quando fotos registraram vazamento de rejeitos da bacia de depósitos da mineradora. Nos dias seguintes, órgãos dos governos estadual e municipal, além do Instituto Evandro Chagas, estiveram no local para dar início as vistorias.
A Hydro Alunorte se manifestou negando qualquer incidente, garantindo que a bacia se manteve firme, intacta e sem vazamentos, mesmo com as fortes chuvas no município. No dia 22 de fevereiro, o Instituto Evandro Chagas divulgou um laudo contrariando a empresa e confirmando a contaminação em diversas áreas de Barcarena, provocada por uma ligação clandestina para eliminar efluentes contaminados da empresa norueguesa.
No final de fevereiro, o Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) já havia determinado que a Hydro reduzisse sua produção em Barcarena em 50% e embargou uma bacia de rejeitos da empresa. A refinaria acatou o recurso.
No dia 9 de março, o segundo canal de despejo não autorizado foi descoberto pelo Ministério Público do Pará (MPPA), após uma vistoria realizada nas dependências da Hydro Alunorte. Segundo o MPPA, o canal seria utilizado em situações de grandes chuvas para despejar efluentes sem tratamento diretamente no rio Pará.

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