Homem identificado como Paulo foi o responsável por convencer testemunhas a mentirem. Ele havia recebido mais de R$ 20 mil para limpar terreno de uma das pessoas que havia sido presa injustamente, e como não realizou o serviço, queria tirar o proprietário do local de circulação.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol) do Rio Grande do Sul detalhou alguns pontos sobre a investigação falha que culminou na prisão de sete inocentes, que eram suspeitos de um falso ritual satânico com a morte de duas crianças em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Conforme a polícia, um calote motivou o informante do delegado Moacir Fermino, indiciado por crimes cometidos durante o curso da investigação, a forjar testemunhas para incriminar pessoas que não tinham ligação com o caso.
"Existe nos autos uma situação que envolve esse informante. Ele teria sido subcontratado para fazer a limpeza de um terreno de uma das pessoas presas, e esse serviço não foi prestado. Ele recebeu o valor e não executou o serviço. Isso nos leva a crer que esse seja um elemento preponderante", afirma o delegado Antonio Lapis, da Delegacia de Feitos Especiais da Cogepol.
O objetivo dele era tirar de circulação uma das pessoas que haviam sido presas injustamente pelo delegado Moacir Fermino. Essa pessoa havia comprado um terreno e contratado outro homem para realizar a limpeza do local. Esse homem, não identificado, subcontratou o informante para fazer o trabalho.
Chamado apenas de Paulo pelos policiais, que não deram mais detalhes sobre sua identidade, o informante recebeu antecipado mais de R$ 20 mil para fazer a limpeza, mas não realizou o serviço. Com isso, o homem que acabou preso injustamente cobrou que fosse feita a limpeza do terreno, o que gerou desconforto de Paulo, que tramou para incriminá-lo, junto a outras pessoas.
Parte do pagamento foi feito com um Chevette. O carro, no entanto, seria revendido ao intermediário do serviço. O valor referente ao veículo, porém, também não foi pago, sob a alegação que a limpeza do terreno não foi feita.
"O Paulo tinha essa rixa com a questão do terreno. Era um serviço em torno de R$ 20 e tantos mil e que não foi executado. Por isso algumas dessas pessoas foram inseridas dentro desse contexto", conta o delegado Lapis.
Para incriminar o desafeto, Paulo coagiu três testemunhas a prestarem depoimentos falsos à polícia. Amigo de longa data do delegado Moacir Fermino, ele fez com que essas pessoas colocassem a culpa da morte das crianças em um suposto ritual satânico, que não aconteceu. Como recompensa, elas seriam incluídas no Programa Protege, que dá assistência – inclusive financeira – a testemunhas ameaçadas.
"Existia a questão do oferecimento, que na cabeça deles era em torno de R$ 3 mil, e eles ficariam em uma casa com tudo pago. Então esse era o contexto que o Paulo trazia para as testemunhas. Só que, na prática, o sistema de proteção às testemunhas não é R$ 3 mil a ajuda de custo, é muito menos. Então, isso também movia de alguma forma o Paulo dentro da criação dessa história", descreve o delegado.
Por esse crime, o informante foi preso em fevereiro deste ano, e acabou indiciado quatro vezes por corrupção de testemunhas.
Ainda de acordo com a polícia, todas as informações falsas eram repassadas pelo Paulo e validadas pelo delegado Fermino, mesmo que não fossem verdadeiras. O que importava para eles era que as pessoas que haviam sido presas injustamente não fossem soltas. "As investigações continuaram mesmo com divergências gritantes acontecendo", lamenta Lapis.

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