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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vigilância Epidemiológica confirma caso de leishmaniose em criança de um ano e oito meses em Presidente Prudente

População é orientada a retirar dos quintais todo tipo de matéria orgânica em decomposição, como galhos de árvores, frutos e folhas. Paciente mora no Jardim Prudentino.


A Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM) confirmou nesta segunda-feira (13) mais um caso de Leishmaniose Visceral Americana (LVA) em uma criança de um ano e oito meses, moradora do Jardim Prudentino, em Presidente Prudente. A criança encontra-se internada desde o dia 6 de novembro. Trata-se do segundo caso deste ano na cidade. O primeiro foi em maio, no Jardim Cinquentenário.
Com a confirmação, a VEM iniciou a partir desta segunda-feira (13) o trabalho de orientação da população, solicitando a retirada de toda matéria em decomposição encontrada nos quintais, como galhos de árvores, madeiras, móveis velhos, frutos e folhas.
A orientação é para que os materiais sejam acondicionados em sacos e colocados nas calçadas, para o recolhimento, que, de acordo com a VEM, será realizado por caminhão.
O órgão também orienta para que os moradores façam a podas de árvores, deixando que os raios solares cheguem ao chão. “Pois, o mosquito-palha, que é o transmissor da leishmaniose, se reproduz entre o solo e a matéria em decomposição sombreada”, explica a diretora da VEM, Elaine Bertacco.
Com a conclusão do manejo ambiental e da limpeza dos quintais, começará a borrifação, que é realizada dentro e fora do imóvel. Todas as orientações e precauções sobre a borrifação serão feitas por um agente.
O agente agendará o melhor dia e horário para o morador, onde será assinado um termo de compromisso, e o descumprimento deste documento acarretará em penalidades, com base na lei n° 9.249/16.
A VEM pede para que o morador se comprometa a estar no dia previamente agendado e com o imóvel devidamente preparado como orientado pelo agente para aplicação do inseticida.
Conforme a lei, o morador que dificultar a ação fiscal no exercício das atividades previstas, em especial a recusa pelo proprietário, em permitir o ingresso do agente de saúde, para fins de inspeção, verificação, orientação, informação e aplicação de inseticida, estará sujeito a uma multa de 300 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 1.038,75.
Nos últimos cinco anos, Presidente Prudente acumula um histórico de seis casos de leishmaniose visceral em humanos.
O primeiro foi confirmado em 2013. O segundo caso em 2014. Em 2016, foram dois casos. Em 2017, duas confirmações, em maio e novembro.
Ciclo de transmissão da leishmaniose  (Foto: Reprodução/RBS TV)Ciclo de transmissão da leishmaniose  (Foto: Reprodução/RBS TV)
Ciclo de transmissão da leishmaniose (Foto: Reprodução/RBS TV)

A doença

doença é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pelo mosquito-palha. Em estágio mais avançado, a doença causa inchaço do fígado e do baço, comprometendo o correto funcionamento do sistema hematológico, e pode atingir também a medula óssea.
Se não tratada, a leishmaniose pode levar à morte em 90% dos casos, segundo o Ministério da Saúde.
Pela convivência no ambiente doméstico, os cães são vistos como intermediários importantes da transmissão da leishmaniose visceral para humanos: o mosquito pica um animal contaminado e passa adiante o protozoário causador da doença ao picar outro animal ou uma pessoa.
Perda de peso, aparecimento de feridas ou descamações de pele, queda anormal de pelos, inchaço das pernas e sangramento do nariz são efeitos da leishmaniose visceral em cachorros. No entanto, a doença pode ser assintomática em muitos casos.
Diferentemente do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, que se reproduz em água limpa, o mosquito que transmite a leishmaniose prefere ambientes úmidos com farto material orgânico.
Há apenas um medicamento liberado pelo Ministério da Agricultura para o tratamento da leishmaniose visceral canina, porém, ele não é considerado 100% eficaz.
Embora reduza os sintomas no cão, o medicamento não elimina totalmente o protozoário, de forma que o animal continua sendo um repositório da doença.
O Ministério da Saúde está conduzindo pesquisas para avaliar a relação custo-efetividade do uso de coleiras repelentes como medida de controle.
A vacina preventiva, que pode ser aplicada somente em cães saudáveis, não entrou nas políticas do governo porque os estudos de eficácia foram considerados insuficientes.
A primeira vacina é aplicada em três doses, depois são necessários reforços anuais de aplicação única.

Prevenção

Apesar de ser grave, a leishmaniose visceral em humanos tem tratamento com medicação, mas não vacina.
O combate à doença passa pelo controle da proliferação do mosquito. A limpeza de material orgânico de jardins e a destinação correta do lixo são fundamentais. Os usos de inseticidas e repelentes, bem como de telas milimetradas em portas e janelas, também são recomendados.

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