G1 conversou com famílias que moram na Flórida e na Georgia. Irma deve atingir os EUA entre o sábado (9) e o domingo (10).
A chegada do furacão Irma, o mais forte dos últimos 10 anos, vem deixando os Estados Unidos apreensivos. A previsão de especialistas é que ele atinja o estado da Flórida entre a madrugada deste sábado (9) e o domingo (10).
Moradores das regiões que devem ser atingidas se preparam para o pior. O G1 conversou com alagoanos que moram na Flórida e na Georgia, que também está na rota do furacão, para saber como eles estão se preparando e o clima nesses locais.
A tradutora Yasmin Fuller mora na cidade de Gainesville, na Flórida. Ela, que é casada com um americano e mãe de gêmeos, conta que está bem no meio da área que será afetada pelo furacão.
“Mandaram um alerta de evacuação para todo o estado, não só para a costa. O Irma, além de mais forte é também mais largo, e vai cobrir praticamente todo o estado. Nós aqui temos um kit de sobrevivência que recebemos da igreja, para 72 horas. Estocamos também água, comida enlatada, combustível. As prateleiras dos supermercados e as bombas dos postos estão vazias”, diz Yasmin.
Apesar do risco, ela afirma que não tem como sair de casa e deixar o estado.
“A gente vai ficar em casa, que está no seguro. Mas se a coisa ficar muito feia, vamos para um abrigo montado em uma faculdade próxima daqui. E mesmo que a gente quisesse não poderia sair, porque as rodovias estão completamente congestionadas. Daqui até Miami são 5 horas de viagem. Um amigo levou 12 horas por causa do tráfego pesado”, relata a alagoana.
Já a empresária Monique Casado, 32, o marido dela, Samuel Lucena e seus 4 filhos deixaram a residência onde moram, em Miami, também na Flórida, na última terça (5). A família está nos EUA desde novembro, para abrir um negócio na cidade.
“Nós saímos para comprar suprimentos, e quando chegamos em um supermercado de atacados, a fila para entrar dava volta no quarteirão. Já estava sendo anunciado no estabelecimento que não tinha mais água ou geradores no estoque. No nosso caso, o apropriado seria encher a garagem inteira com garrafas de água. Quando vimos que não iria ter a quantidade necessária, decidimos sair. Pegamos as crianças na escola, algumas peças de roupa, documentos, e partimos”, conta a empresária.
A família saiu de Miami sem um destino certo, analisando a previsão e o trajeto do furacão. Decidiram então buscar abrigo na cidade de Atlanta, na Georgia, onde chegaram na quarta-feira (6). A viagem durou cerca de nove horas.
“Estamos em um grupo em uma rede social com mais de 150 brasileiros, que moram na Flórida e que estão na estrada. Estamos nos comunicando e trocando dicas. Pelo que vimos, falta muito combustível e o trânsito está caótico. Muita gente desistiu”, conta.
Quando pensavam ter encontrado refúgio por um momento, mais uma preocupação: a cidade em que planejavam ficar durante a passagem do Irma entrou na lista da rota do furacão, que tem deixado um rastro de destruição por onde passa.
Na sexta-feira (8), eles pegaram a estrada para Birmingham, no Alabama.
“Estamos em um hotel e vamos ficar, provavelmente, por mais três dias. Temos que decidir tudo rápido, já que temos as crianças. Tivemos notícias que já começou a chegar um sinal de tempestade no sul da Flórida. Estamos muito apreensivos pelos amigos que estão lá, pela nossa casa. O retorno ainda é incerto. Estamos muito preocupados”, desabafa.
Quem também se prepara para deixar a Georgia é a professora Jane Soares de Morais. Ela e o marido, Dwight Rodocker, moram na cidade de Savannah. O governo local determinou a evacuação imediata daquela área.
“Estamos nervosos, ansiosos, na expectativa da chegada do Irma. Estamos organizando os últimos detalhes para que a gente possa sair daqui do local onde ele vai chegar. Tem muitas árvores onde a gente mora, e não é seguro ficarmos aqui [por ser uma região pantanosa, as raízes das árvores são aéreas, oferecendo pouca sustentação e aumentando o risco de quedas]”, conta Jane.
Eles estão levando medicamentos, água, um tipo de comida utilizada pelo exército, que dá pra fazer apenas adicionando água e outros itens (confira o relato dela no vídeo abaixo).
“Estamos levando colchão, caso precisemos dormir dentro do carro, uma barraca e nossas bagagens, caso precisemos passar mais tempo fora de casa. Não colocamos tapumes nas janelas, porque elas são bem fixas. Temos gasolina para o gerador. No outro furacão, ficamos 4 dias sem eletricidade”, afirma Jane.
Preso no aeroporto
O Irma também afeta quem não mora na rota dele. O estudante de TV Allan Yuri Souza mora em Silver Spring, Maryland. Na sexta, ele e o marido voltavam das férias em Orlando, na Flórida, quando ficaram presos no aeroporto.
“Chegamos no aeroporto por volta das 11h30. Fomos fazer o check-in e notamos uma grande quantidade de pessoas esperando. Foi quando percebemos que todos estavam realmente evacuando a cidade. Em seguida, fomos para a fila de segurança, que durou 1h15 min, quando não dura nem 5 minutos. Até então nosso voo mostrava como ‘programado’. Ficamos esperando pelo embarque começar e nada”, conta o alagoano.
Ainda segundo Souza, pouco antes do voo partir, a companhia aérea soltou um aviso de que o portão havia sido modificado.
“Em seguida, recebemos avisos que o voo estava atrasado. E assim foi adiando até por volta das 19:40h. Os portões também foram alterados mais uma vez. Fomos perguntar para saber o motivo de cada novo atraso, e os funcionários diziam que era falta de pilotos, atendentes, aeronaves, e outros”, diz.
No aeroporto, muitas pessoas estavam em pé, em frente aos portões, outras sentaram no chão porque não havia cadeiras suficientes para todos.
“O voo não decolou até por volta das 20h10. Ficamos muito felizes em poder sair, porque àquela altura estávamos com receio de que o voo fosse cancelado”, conclui o estudante.
*Colaborou George Arroxelas

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