Após imbróglio sobre prêmios, Leões Indomáveis decolam e chegarão ao Brasil nesta segunda. Esquecidos no hotel, Djeugoue e Olinga são "resgatados" e viajam
Depois de rejeitar a premiação oferecida pelos dirigentes e se recusar a embarcar, a seleção de Camarões finalmente pegou o avião rumo ao Brasil. À 0h48 (de Brasília) desta segunda-feira os jogadores africanos decolaram do aeroporto em Yaoundé e devem chegar ao Rio de Janeiro por volta de 9h. Em seguida, voarão até Vitória, no Espírito Santo, sua base de treinos durante a competição.
Ainda segundo informação inicial do "Camfoot", a delegação africana embarcara sem o astro Samuel Eto'o, que teria sido aguardado no aeroporto até por volta da meia-noite, informação esta que, no entanto, acabou não confirmada. Em seguida, o próprio site, especializado em futebol camaronês, divulgou que o atacante de fato seguira com os companheiros. Eto'o registrou sua presença com uma postagem no Facebook.
Outra confusão antes do embarque envolveu Cédric Djeugoue e Fabrice Olinga. Novamente segundo o "Camfoot", ambos haviam sido esquecidos no hotel, porém os dirigentes "notaram" as ausências e imediatamente enviaram um carro para buscá-los.
Esta será a sétima Copa do Mundo do time camaronês. Um recorde entre as seleções africanas. Porém, há a pressão de apagar a campanha decepcionante de quatro anos atrás. Na África do Sul, foram três derrotas e uma queda logo na primeira fase. De lá para cá, raros momentos de paz.
O alemão Volker Finke é o terceiro técnico desde o francês Paul Le Guen (da Copa de 2010). Precedido pelo espanhol Javier Clemente e pelo camaronês Jean Paul Akono, ele está há apenas um ano no cargo, tempo que parece insuficiente para ter domado os problemáticos Leões.
A instabilidade interna talvez seja o maior obstáculo para o time capitaneado por Samuel Eto’o - ele próprio pivô de algumas polêmicas, como a que o levou a uma suspensão pela Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot) em 2011, após se recusar a enfrentar a Argélia em um amistoso.
A velha discussão sobre prêmios deu o tom da preparação. A equipe se apresentou para a fase inicial de treinamentos na Áustria, em 20 de maio, e em menos de uma semana criou-se um debate sobre o bicho oferecido pela Fecafoot, entre outros pontos de atrito de jogadores e dirigentes. Na véspera do embarque, a ameaça de não viajarem. Dito e feito: voo adiado, governo se virando para dar garantias financeiras e, só assim, a confirmação do voo.
A desconfiança dos atletas com os dirigentes tem algum fundamento. Em 2013, a Fecafoot sofreu uma intervenção da Fifa, devido a suspeitas de irregularidades nas eleições. A entidade máxima do futebol mundial, então, submeteu a federação camaronesa ao controle de um comitê, composto por 11 membros.
Time jamais treinou completo
Em campo, a preparação na Áustria (20 a 29 de maio), na Alemanha (30 de maio a 1º de junho) e Camarões (desde o último dia 2) foi prejudicada pelas constantes ausências. A começar pelo astro da companhia. Eto’o trabalhou poucas vezes com bola. Dos quatro amistosos, só jogou um, fazendo um dos gols do 2 a 2 com a Alemanha. O atacante chegou a encarar um bate e volta de Kufstein (Áustria) à Barcelona no dia 27 de maio para se consultar com um médico de confiança sobre uma inflamação no joelho.
Outro jogador importante, Jean Makoun - meia do Rennes que fez os dois gols que garantiram a classificação camaronesa para a Copa do Mundo no mata-mata decisivo contra a Tunísia - não participou de um amistoso sequer e treinou à parte durante quase todo o tempo. O zagueiro Chedjou (Galatasaray) e o volante Mbia (Sevilla) também tiveram seguidos problemas físicos.
O lateral-esquerdo Assou-Ekotto não passou sete dias com o time, no total. A comissão técnica já esperava certo atraso já que seu time, o Queens Park Rangers, decidiria o acesso à primeira divisão do Campeonato Inglês no quinto dia após a apresentação do grupo. Mas ele só se apresentou oito dias depois. Como o elenco teve folga entre 2 e 5 de junho, o convívio com os companheiros foi mínimo.
Comissão técnica partida em três
Novos membros da comissão técnica foram apresentados a pouco mais de três semanas da estreia na Copa, entre eles o preparador físico Christophe Manouvrier, outro que se ausentou de treinos - no caso, por mais de dois dias, devido a compromissos em seu clube, o Olympique de Marselha. Manouvrier faz parte de um quinteto indicado pelo próprio Volker Finke. Mas outros 12 foram nomeados, ou pela Fecafoot, ou pelo Minsep (Ministério dos Esportes e da Educação Física), formando três grupos dentro da comissão.
Com tantos problemas, reeditar o desempenho de 1990 (sétima colocação) é improvável. Três dos quatro amistosos também indicam isso. Foram duas vitórias nada convincentes sobre Macedônia (2 a 0, ainda na Áustria) e Moldávia (1 a 0, em Camarões) e uma derrota para o Paraguai (2 a 1), usando vários reservas. A única boa atuação foi no 2 a 2 com a Alemanha, como visitante . O meia-atacante Choupo-Moting, do Mainz 05, atuando pelo lado esquerdo, mostrou ser o homem mais perigoso. Ele foi titular em três jogos, assim como Matip, do Schalke 04, na zaga. Ninguém foi titular nos quatro.
Camarões está no Grupo A, o mesmo de Brasil, Croácia e México. A estreia será numa sexta-feira 13, às 13h, na Arena das Dunas, em Natal (RN), contra o México. Em seguida, enfrenta a Croácia no dia 18, em Manaus, e encerra sua participação na primeira fase contra a seleção brasileira no dia 23, em Brasília.

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