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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Luis Carlos, do Raça Negra, lembra das críticas na criação do grupo: ‘Samba não é planta, para ser de raiz ou não’

Quando Raça Negra e Só Pra Contrariar iniciaram suas carreiras, há 31 e 25 anos, respectivamente, ninguém poderia imaginar que eles virariam os Gigantes do Samba, nome com o qual batizaram a turnê que começam a fazer em conjunto. O resultado pode ser conferido hoje, às 23h, no Barra Music, na Zona Oeste do Rio.
— Apesar de sermos de São Paulo, estouramos no Rio de Janeiro primeiro. Mas nós sofremos no início com as críticas. Falavam “onde já se viu botar piano no samba?”. Mas o samba não é planta, para ser de raiz ou não. Muitos achavam que samba era coisa de maloqueiro, de malandro do bar, e a gente colocou um romantismo — relembra Luis Carlos, líder do Raça Negra, que garante que o grupo nunca parou de tocar — Às vezes, me perguntam por que a gente voltou. Voltar de onde, não fomos para lugar nenhum, estava todo mundo trabalhando.
Alexandre Pires, que desde o ano passado interrompeu a carreira solo para se dedicar à turnê comemorativa do Só Pra Contrariar, também se recorda dos primeiros passos do grupo.
— Lembro do espanto pelo fato de sermos o primeiro e o único grupo de pagode de Minas Gerais — diz Alexandre, que espera hoje celebrar a consagração dos dois grupos na cidade que os projetou: — O Rio é a maior praça do Raça Negra e do Só Pra Contrariar. Onde fizemos shows memoráveis. Temos muita gratidão pela cidade.
E o reencontro das bandas no palco, acontecerá por conta de uma ideia de Alexandre Pires. Fã do Raça Negra, ele sonhava tocar com seus ídolos.
— O Alexandre conhece mais música minha que eu mesmo. Tem música que eu gravei, que não lembro. Ele canta tudo — brinca Luis Carlos, que no show, vai interpretar canções que fizeram muito sucesso na voz do colega como “Meu jeito de ser”, “Essa tal libertadade”, “Que se chama amor”.
E sucessos do Raça Negra como “Cheia de mania”, “Cigana” e “Tarde demais” serão entoados por Alexandre.
— Eu sempre fui muito fã deles. Em 1991, o SPC abriu um show deles em Uberlândia. Deus é maravilhoso, a música tem essa magia, e hoje, nos possibilita esse tipo de reencontro — festeja o cantor.
Com previsão de duração de 2h30, o apresentação no Barra Music será repleta de sucessos das duas bandas, que permanecerão o tempo todo no palco.
— A gente quer brindar com o povo essa união, cantando 2h30 de muita alegria e nostalgia — promete Alexandre, que em setembro grava seu primeiro DVD em espanhol, em Miami ou Porto Rico.
O Raça Negra também tem projetos ambiciosos neste ano. Em maio, o grupo grava um DVD no Morro da Urca.
— Vai ser um grande baile com a participação de músicos de vários seguimentos como Samuel Rosa, do Skank, e Falcão, do Rappa — avisa.

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