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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Disputados no exterior, brasileiros treinam até rivais campeãs olímpicas

Valorizados no vôlei de praia, profissionais assumem cargos nas categorias 
de base de seleções estrangeiras e de times que buscam vaga nos Jogos

O número de brasileiros competindo no Circuito Mundial é muito maior do que o dos atletas que vestem verde e amarelo e suas respectivas comissões técnicas. Isto porque, cada vez mais, jogadores estrangeiros recorrem aos treinadores do país para assumirem seus programas de treino e preparação para torneios de grande porte. Seja para comandar projetos que envolvem categorias de base e lapidação de novos talentos ou para trabalhar em alto nível com campeões olímpicos, os profissionais brasileiros encontram um mercado receptivo e que os valoriza como mão de obra da melhor qualidade.
 Treinador brasileiro Marcio Sicoli conversa com as atletas americanas Walsh e May
Misty May iniciou uma parceria com o brasileiro Marcio Sicoli no período em que atuou ao lado de Nicole Branagh, quando Kerri Walsh se ausentou do vôlei para ser mãe. A americana afirma que a experiência do treinador a impressionou muito e lamentou que, nos EUA, os trabalhos de formação de atletas sejam muito mais voltados para o vôlei de quadra.
- Ele é bastante engraçado, mas esquecemos que ele é mais novo do que nós pelo conhecimento e energia que tem. E, acima de tudo, vem do Brasil. O Brasil é o dono do jogo atualmente. Temos bons técnicos no indoor, mas não temos um desenvolvimento do vôlei de praia com trabalhos de base. Acho que há mais organização e estrutura no Brasil.
Walsh, que adotou o treinador da parceira quando voltou ao Circuito, rasgou elogios. A bicampeã olímpica acredita que Marcio soube explorar ainda mais seu potencial e que, graças a ele, hoje é uma atleta ainda mais completa.
- Ele é o melhor do mundo. Acho que fiquei uma jogadora melhor em todos os aspectos. Ele me desafia tanto e me faz mudar a cabeça para ver o jogo de uma forma mais simples. Dizemos que somos como uma caixa de ferramentas. E ele nos mostra como deixar todas essas ferramentas sempre disponíveis.
Itália, Áustria e Chile também ‘importam’
A Itália é um dos países que mais conta com o apoio dos brasileiros. O bom trabalho de Lissandro Carvalho com as duplas femininas do país abriu portas para que Paulão, morador do país europeu há seis anos, começasse a treinar equipes na quadra e, em novembro de 2011, os irmãos Matteo e Paolo Ingrosso e Nicolai Paolo e Daniele Lupo.
 Técnico Paulão (centro) ao lado dos irmãos Matteo e Paolo Ingrosso
- Penso que, quando falamos de vôlei de praia, as duas escolas mais importantes são a brasileira e a americana. No ano passado, eles estavam treinando com o americano Mike Dood e agora estão treinando comigo. Acho que, para eles, a oportunidade lidar com uma metodologia de um pais que esta sempre vencendo é muito importante. Temos uma escola vencedora e isso facilita essa grande procura por treinadores brasileiros – analisou Paulão.
Na etapa de Brasília, a comissão técnica italiana recrutou ainda 12 estagiários de universidades próximas dos cursos de Educação Física e Estatística para ajudarem na coleta de informação dos adversários.
Entre indas e vindas, Marco Teixeira trabalha na comissão técnica da dupla austríaca Sara Montagnolli/Barbara Hansel há mais de dez anos. Ele ressalta que, antes, era mais freqüente que os atletas estrangeiros viajassem ao Brasil para intercâmbios. Agora, por razões financeiras, vale mais a pena convidar os profissionais para trabalharem em seus respectivos países.
- O know-how brasileiro é muito grande. Eles vêm para cá há algum tempo tentando aprender com os jogadores e com os treinadores essa maneira de jogar. Mas para eles, atualmente, é mais vantajoso e barato levar um técnico para lá.

O Big com a dupla chilena Marco e Esteban Grimalt
Na América do Sul, Marcelo Carvalhes, o Big, é o responsável por lapidar os talentos do Chile. O carioca é o técnico de os irmãos Marco e Esteban Grimalt, que têm chances de conquistar vaga nas Olimpíadas, Guillermo Jiménez e Rodrigo Salinas. Após o Circuito Mundial, ele se mudará para o país para desenvolver um trabalho de formação de novos jogadores.

No caso de Big, a demonstração de profissionalismo foi muito além de defender um país estrangeiro contra a própria pátria. Este ano, ele teve que guiar os chilenos em confronto com seus próprios filhos, Marcus e Guto, em partida válida pelo Circuito Sul-Americano.
- É uma situação que dói, mas temos que ser profissionais.

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